segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Farmacogenética Psiquiátrica



No futuro, que já começou, através de um teste genético, o AMPLICHIP 450, podem-se detectar 28 alterações nos genes CYP2D6 e CYP2C19. Esses genes determinam o metabolismo de determinadas drogas nas células hepáticas. O gene CYP2D6 interfere no metabolismo de 1/4 dos medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico. Dependendo do tipo de variante genética, um medicamento pode simplesmente não funcionar, intoxicar ou funcionar normalmente. Essa diferença de resposta a medicamentos sempre intrigou a Medicina. Agora podemos adaptar os tratamentos às características individuais do paciente. Sabemos que outros fatores influenciam, como o peso, a presença de alimentos no estômago( retardando a absorção), a frequência das doses e os horários( cronofarmacologia).

A Farmacogenética estuda a identificação de variantes genéticas que influenciam o modo como os medicamentos agem e são metabolizados no organismo.

Entre os diferentes perfis de metabolização existem os metabolizadores pobres, onde há uma lentificação no processo, com presença de mais efeitos colaterais e pouco benefício terapêutico; os metabolizadores extensivos, que têm um aproveitamento normal das drogas, tanto sentindo os efeitos terapêuticos como os efeitos colaterais; os metabolizadores intermediários, cujo processo é feito em ritmo reduzido, aproveitando menos os efeitos terapêuticos e sofrendo os efeitos colaterais; os metabolizadores ultrarrápidos, com os medicamentos sendo eliminados muito rapidamente, sem o aparecimento dos efeitos terapêuticos.
Na Farmacogenética Psiquiátrica, já dispomos de testes, realizados na USP, onde se medem os perfis individuais no metabolismo da fluoxetina(antidepressivo), Imipramina(antidepressivo), haloperidol(antipsicótico) e risperidona(antipsicótico). Muitos pacientes com quadros depressivos resistentes ou TOC( Transtorno Obsessivo-Compulsivo) puderam responder melhor, quando as doses foram ajustadas para o seu perfil metabólico.

Psiquiatria Genética



A hereditariade de transtornos psiquiátricos é um tópico de interesse cada vez maior na pesquisa. Hoje sabemos que a Ansiedade, a Depressão, a Bulimia e os Transtornos de Personalidade possuem uma determinação genética entre 20 e 40 %. A Dependência de Álcool e Drogas possuem uma determinação genética entre 40 e 60 %. A Esquizofrenia e o Transtorno Bipolar possuem uma determinação genética entre 60 e 80 %. E o Autismo possui uma determinação genética entre 80 a 100%.
A Psiquiatria Genética utiliza ferramentas e modelos que investigam a relação dos transtornos mentais com as características gênicas de cada indivíduo. Entre os paradigmas existentes, quatro se destacam: a Epidemiologia Genética Básica, que investiga gêmeos, familias e adoção, através de métodos estatisticos, visando à quantificação do grau de agregação familiar e /ou hereditariedade ; a Epidemiologia Genética Avançada, que também investiga gêmeos , familias e adoção, através de métodos estatísticos, visa à exploração de fatores de risco genético e do ambiente na causa de doenças mentais. Ele é reducionista, porque não aborda as variações do DNA; a Identificação de Genes, também realizada em famílias, trios e genes de caso-controle, por métodos estatísticos, visando à determinação da localização genômica e identificação de genes de suscetibilidade a doenças mentais; Genética Molecular, que avalia indivíduos, por métodos biológicos, visando à identificação de variabilidade no DNA.