terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Entendendo o Suicídio



O Suicídio é um ato extremo ,frequente em diferentes transtornos psiquiátricos, que incluem os transtornos depressivos, bipolares, alcoolismo, esquizofrenia , uso de drogas e transtornos graves de personalidade.


Os determinantes do suicídio podem ser psicológicos e biológicos. A diminuição de metabólitos da serotonina foram encontrados no sangue de paciente suicidas, denotando uma desregulação serotoninérgica. Pacientes com concentração baixa de serotonina demonstram mais tentativas de suicídio e descontrole de impulsos. O descontrole de impulsos está presente em diferentes doenças psiquiátricas, o que pode ser um fator comum na precipitação do suicídio.


Salvar a vida do paciente é sempre a prioridade, com a indicação de psicofarmacologia agressiva, pois a psicoterapia é insuficiente para o controle da ideação suicída. Num estudo comparativo em 1978, apenas 16% dos pacientes obtiveram resultados positivos em psicoterapia quando severamente depressivos, enquanto 83 % responderam ao uso de psicofármacos. A internação psiquiátrica está indicada, quando a família não consegue prover suporte de vigilância 24 horas por dia ou os sintomas psicóticos são muito intensos que contraindiquem uma internação domiciliar.


As motivações para o ato suicida são múltiplas e variadas. Os psiquiatras e os médicos em geral devem sempre valorizar indícios de impulso suicida. Trabalhos demonstram que o paciente suicida comunicou a ideação a familiares ou médicos, em média, 6 meses antes da tentativa fatal. Cabe ao médico escutar atentamente e inquirir diretamente o paciente quanto à vontade suicida( isso não aumenta o risco, pelo contrário alivia a culpa e sofrimento e previne tentativas).


Na compreensão psicológica , vários autores clássicos e alguns contemporâneos estudaram as motivações inconscientes para o suicídio. O suicídio seria uma tentativa de matar a representação de uma pessoa dentro de si. A experiência clínica demonstra que o suicida tenta destruir a vida dos sobreviventes. É muito comum um ato homicida contra um cônjuge, seguido do ato suicida. Há em comum o desejo de matar, ser morto e de morrer, segundo karl Menninger.

Fenichel observou( 1945) que havia fantasias de reunião com uma pessoa amada perdida ou entes queridos que já faleceram. Em pacientes depressivos, cometer suicídio pode ser uma tentativa desesperada de fazer cessar a "dor psicológica", carregada de desesperança em relação ao futuro. O paciente enxerga-se como defeituoso, com o mundo contra ele e com as pessoas pouco se importando com o seu valor pessoal.


Em 1978, no suicídio em massa liderado pelo reverendo Jim Jones, suas últimas palavras foram, " mãe, mãe..", denotando uma fantasia de retorno à figura materna. Entre os principais fatores preditivos do suicídio, sete se destacam no período de 1 ano: ataques de pânico, ansiedade psíquica, perda do prazer e interesse nas coisas e pessoas, rápida mudança de humor, abuso de álcool, concentração diminuída e insônia global. Fatores de risco a longo prazo incluem tentativas prévias de suicídio, desesperança, ideação suicida recorrente. Os homens suicidam-se mais( usam métodos mais violentos, como armas de fogo e enforcamento) e mulheres tentam mais( uso de medicamentos).


Entre os fatores psicossociais que aumentam o risco estão as seguintes características: ser homem, solteiro, idoso, adolescente, sem suporte social, com doenças crônicas e sem tratamento psiquiátrico, principalmente para os transtornos de humor. Entre as características psicológicas adicionais, encontramos uma incapacidade no indivíduo de ser independente, uma visão ambivalente da morte, expectativas exageradas a respeito de si mesmo e o controle excessivo do afeto, com repressão da raiva.


O Suicídio é um problema de saúde pública. O tratamento das doenças psiquiátricas ainda é o melhor método preventivo do ato suicida. O lítio( estabilizador de humor) é um medicamento que mostrou eficácia na redução dos índices de suicído. Lembro-me do caso de um paciente com transtorno depressivo crônico, já no seu terceiro episódio. O clínico geral tirou o medicamento prescrito pelo psiquiatra, alegando que ele estava "curado". A doença agravou-se e o paciente matou-se por enforcamento. Parar com os medicamentos psiquiátricos aumenta a recaída das doenças e os índices de suicídio. Recusar-se a procurar ajuda psiquiátrica por preconceito ou desinformação aumenta o risco de suicídio em pacientes vulneráveis. Nunca vamos reduzir o risco de suicídio em 100 %, mas vamos minimizar o risco num percentual significativo dos casos. Vidas serão salvas!! Pense nisso! Fique atento! A informação salva vidas!

Antidepressivos e Disfunção Sexual



A depressão é um trantorno que causa disfunção sexual. Um dos sintomas presentes na síndrome é a diminuição da libido e disfunção erétil. Quadros ansiosos também causam alterações sexuais. O estresse crônico, pela secreção de hormônios vasoconstritores, como a adrenalina, provocam diminuição do fluxo sanguíneo na região irrigada para a ocorrência da ereção ou lubrificação vaginal.

Se a pessoa ainda abusar de álcool, for tabagista, usar medicamentos anti-hipertensivos, for diabético, for sedentário, o risco de disfunção sexual multiplica-se.


Em nível cerebral, a alteração dos neurotransmissores contribui para a disfunção sexual. Trabalhos comprovam a participação da serotonina e da dopamina em sistemas reguladores do desejo sexual. São justamente esses neurotransmissores que se encontram alterados em quadros depressivos e ansiosos. Quando regulamos esse sistema de neurotransmissão, o desejo sexual e a potência sexual se normalizam. Entretanto, os antidepressivos podem piorar a disfunção sexual, principalmente os inibidores da recaptação da serotonina(ISRS). Por atuarem em diferentes receptores cerebrais, podem inibir justamente aqueles envolvidos com o impulso sexual. Os efeitos colaterais sexuais com o uso de antidepressivos pode acometer até 1/3 dos pacientes tratados.


Dos antidepressivos disponíveis no mercado( 39 medicamentos), apenas três apresentam um potencial mínimo ou nulo de causar disfunção sexual. Quando o paciente se queixa de disfunção sexual, torna-se necessária a substituição do medicamento, inclusive testar outra classe medicamentosa que não afeta a função sexual. Apenas três medicamentos é insuficiente ainda, porque além de evitar a disfunção sexual, precisamos adaptar o medicamento ao perfil de sintomas do paciente. Isso acaba limitando bastante as combinações disponíveis. Os medicamentos mais modernos causam menos disfunção sexual, o que aumenta o percentual de sucesso na maioria dos casos.


Na fase aguda da doença depressiva, as mulheres aceitam tolerar os efeitos colaterais sexuais, mas a longo prazo isso torna-se inviável, porque uma vida sexual saudável e ativa faz parte da rotina da maioria dos casais. Os homens são pouco tolerantes a quaisquer disfunções sexuais, mesmo por curtos períodos de tempo. Portanto, um dos desafios do tratamento antidepressivo é compatibilizar a ação terapêutica dos medicamentos com a minimização dos efeitos colaterais em geral , e a disfunção sexual em particular.