quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tabagismo- O caminho da Desintoxicação


Depois que você interromper o hábito de fumar:


20 minutos= a pressão sanguínea diminui, a pulsação cai, a temperatura dos pés e mãos aumenta.
Após 8 horas= O nível de monóxido de carbano cai no sangue a níveis normais, os níveis de oxigênio voltam ao normal.
Após 24 horas= A chance de ataque cardíaco ou infarto diminui.
Após 48 horas= As terminações nervosas recomeçam a crescer, a capacidade de sentir cheiro e sabor melhora.
Após nove meses= A tosse, a congestão nasal, a fadiga e a falta de ar diminuem
Após 1 ano= O risco de morte cardíaca coronariana diminui pela metade
Após 5 anos= O risco de derrame(AVC) cai para o nível de pessoas que nunca fumaram
Após 15 anos= O risco de morte por doença cardíaca ou pulmonar retorna ao nível próximo de pessoas que nunca fumaram!

Tabagismo seduz Mulheres e Jovens


A epidemia mundial do tabagismo caminha junto com a independência da mulher e a busca de sensações e liberdade pelos jovens. Esses dois grupos são especialmente vulneráveis à sedução promovida pela indústria do tabaco. Na luta pela igualdade dos direitos civis, na década de 20, na "glamourização" de ícones do cinema como Rita Hayworth, no filme Gilda, o cigarro ganhou aliados e fez vítimas.Essa nova mulher ia recebendo a propaganda da associação do cigarro com a liberação sexual, a "mulher moderna", competente, competitiva, decidida.
Quanto aos jovens, as campanhas associavam o cigarro à boa saúde, sucesso profissional e ascensão social. Lembro-me da propaganda da Marlboro, onde um cavaleiro corria pelas colinas e vales, vitorioso, dono de uma liberdade invejável!
Saibam que os jovens continuam as principais vítimas, porque o vício geralmente começa antes dos 14 anos de idade. E as mulheres, por exemplo, quando associam pílula anticoncepcional com o cigarro, apresentam um risco 10 vezes maior de apresentar infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite.
Filhos de mães fumantes tem o dobro de chance de nascer com baixo peso, em virtude da falta de oxigenação placentária, podendo levar até à morte perinatal. Quando nascem , são crianças com problemas respiratórios, vindo a sofrer pelo resto da vida de asma, bronquite e outros males.

Tabagismo-Tratamento


Sem tratamento, muitos pacientes nunca deixarão de fumar. A taxa de sucesso das tentativas espontâneas de parar de fumar se situa entre 3 e 5 %. O tratamento intensivo pode elevar esse número para 15 a 25%
O tratamento se calca em três pilares: o aconselhamento, o suporte social e os medicamentos. No aconselhamento, são usadas técnicas cognitivo-comportamentais, com o treinamento de habilidades de resolução de problemas. A essência do tratamento é ensinar o fumante a detectar quais as situções de maior risco de recaídas( prevenção de recaídas), antecipar-se a elas e evitá-las. O aconselhamento pode ser individual ou em grupo. Ele pode aumentar as chances de êxito terapêutico em 50%. Geralmente ocorre num período curto ao longo de três meses.
No suporte social, o paciente busca apoio no médico e nos familiares para a manutenção da abstinência. O estímulo médico aumenta em 30 % as chances de êxito e o suporte familiar aumenta em 50% as chances de sucesso. O uso de medicamentos aumenta em 1,5 a 2 vezes a chance de êxito da tentativa de parar de fumar. Por isso, todo o paciente , com orientação médica, deve receber tratamento medicamentoso adjuvante. Entre os medicamentos, há a reposição de nicotina, buscando uma substituição e redução gradual da dose. São vendidos na forma de goma de mascar ou sistemas transdérmicos( adesivos). Entre os medicamentos via oral, existem os antidepressivos( bupropiona e nortriptilina) e a vareniclina.

Tabagismo-Desencadeantes e Abstinência



A probabilidade de fumar é maior em "situações gatilho". Entre os desencadeantes mais comuns estão situações marcadas por afetos negativos, como irritação, ansiedade, tristeza, tédio. Situações de confronto, trabalho sob muita pressão e acontecimentos inesperados também costumam causar risco. Quando existem afetos positivos e ambientes festivos, com a presença de outros fumantes e consumo de álcool, o consumo aumenta.
Os principais fatores de risco para o tabagismo são a publicidade, direta ou indireta, e o baixo preço dos maços. No Brasil você compra cigarro até nos camelôs. A repetição do uso do tabaco leva à dependência da nicotina, que atinge o cérebro em poucos segundos depois de tragada. Age como um estimulante do sistema nervoso central(SNC), causando sensação de bem-estar, aumento dos níveis de energia e deixando a pessoa alerta. Da mesma maneira que outras drogas de abuso, estimula intensamente o sistema de recompensa do cérebro. Isso funciona como um reforçador do consumo.
A maioria dos fumantes desenvolve sintomas de uma síndrome de abstinência, que se caracteriza por vontade de fumar, ansiedade, irritação, sintomas depressivos, desconcentração, inquietude, insônia e outros. Começa no primeiro dia da cessação do uso e aumenta ao longo da primeira semana. Os principais sintomas desaparecem em 2 a 4 semanas, mas há um leve aumento de peso( 1-3 kilos) e um aumento persistente do apetite.
A presença de outras doenças mentais aumenta a probabilidade do paciente ser tabagista. Metade dos depressivos fuma, a grande maioria dos esquizofrênicos fuma, os dependentes de álcool e drogas fumam!

Tabagismo- Menos 10 anos de Vida!



Desde 1954 vem sendo conduzida uma pesquisa epidemiológica pelo britânico Sir Richard Doll. Neste estudo prospectivo, 35 mil médicos homens , fumantes e não- fumantes estão sendo acompanhados. Os resultados de 50 anos de seguimento mostram que a metade dos fumantes morre prematuramente por causa do cigarro. No século passado foram 100 milhões de mortes!
Os fumantes morrem, em média, 10 anos mais cedo que os não-fumantes! Os 25 % dos fumantes mais comprometidos pela doença perdem cerca de 23 anos de vida! As doenças mais relacionadas com o tabagismo são as respiratórias: 80 % dos casos de bronquite e enfisema, 85 % dos casos de câncer pulmonar. Outros cânceres( 30%de todos eles) relacionados com o tabagismo são os de boca, laringe, faringe, esôfago( frequente na associação com o álcool), estômago , pâncreas e bexiga. Cerca de 30 % dos enfartos são causados pelo cigarro e a principal causa de morte para os fumantes. Outras doenças comuns não-letais são gengivite, úlceras do trato digestivo, osteoporose, disfunção sexual e catarata.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tabagismo



Esta semana quero iniciar uma abordagem sobre Tabagismo. Nas próximas postagens abordaremos essa dependência química. Mais e mais pacientes vêm ao consultório buscar tratamento para abandonar o vício do cigarro.
Desde a década de 90 está havendo uma campanha anti-tabagista e os percentuais de redução do consumo do tabaco se fazem notar. No início da década de 90, 35 % da população era fumante. Esse número reduziu-se para 16,4 % em 2007, conforme números do Ministério da Saúde. Com a proibição das propagandas em horário nobre, com o surgimento das fotos chocantes nos maços de cigarro a partir de 2001 e com a proibição do fumo em locais públicos, houve uma restrição importante ao consumo. Entretanto, os nossos jovens continuam as principais vítimas da experimentação. O hábito de fumar em boates e festas continua.
Considerada uma verdadeira " máquina de matar", o tabaco possui mais de 4700 substâncias tóxicas na sua composição, entre elas arsênico, um metal usado em inseticidas, naftalina, veneno para matar baratas, cianeto, comprovadamente cancerígeno, nitrosamina, que causa câncer em fumantes passivos e outros.
Os dados epidemiológicos revelam que 5,4 milhões de pessoas morrem anualmente em função do tabagismo no mundo. Isso representa 14,8 mil mortes por dia. No Brasil são 200 mil óbitos anuais, o equivalente a 548 mortes por dia. No planeta, 1/3 das pessoas fumam, sendo que dos 1,2 bilhões de fumantes, 200 milhões são mulheres. O cigarro é principal causa de morte evitável na saúde pública. Pense nisso e busque tratamento!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

IX Jornada Gaúcha de Psiquiatria-Avanços


ATÉ QUE PONTO PODEMOS ACEITAR UM USO RECREATIVO DAS DROGAS?

Hoje participamos de uma mesa-redonda com dois expoentes da pesquisa e tratamento da dependência química no Brasil, Sérgio de Paula Ramos (POA) e Ronaldo Laranjeira(SP). Eles responderam a essa questão acima. E a resposta é NÃO. Não podemos aceitar o uso recreativo de drogas.
Principalmente os jovens são uma população vulnerável aos efeitos nocivos das drogas. Como os seus cérebros estão em processo de desenvolvimento( fase da poda neuronal), a exposição a drogas altera a configuração de circuitos neuronais( "a formatação" nas palavras do prof. Ronaldo Laranjeira), principalmente núcleo accumbens, lobo pré-frontal, orbito-frontal, que participam da regulação das sensações de reforço de prazer e controle de impulsos. Os jovens expostos às drogas teriam um esgotamento dopaminérgico do circuito do prazer. Isso diminuiria as respostas prazerosas a situações cotidianas. "Esses jovens teriam que reaprender a sentir prazer com outros estímulos menos intensos que as drogas ", reforçou o prof. Laranjeira.
O psiquiatra Sérgio de Paula Ramos mostrou resultados estatísticos dos riscos do uso precoce de drogas entre os jovens. Os prejuízos acadêmicos em usuários leves de maconha já são evidentes quando comparados com os não usuários. Quanto menor a idade de experimentação, maior o risco de desenvolvimento de dependência de maconha. Além disso, a maconha é uma porta de entrada para o uso de outras drogas e está relacionada com o desencadeamento de surtos psicóticos e esquizofreniformes. Então, toda a discussão em torno da liberalização da maconha torna-se uma falácia, pois a liberalização vai aumentar o uso direto da substância e o uso indireto de outras drogas.
Questionados quanto à necessidade de políticas públicas para o álcool e outras drogas, os dois palestrantes foram veementes na premência dos profissionais de saúde se engajaram numa campanha anti-drogas, que se oporia a interesses políticos.
Em comemoração aos quarenta anos do Festival de Woodstock, onde se pregavam Paz, amor e drogas, o psiquiatra Sergio de Paula Ramos mostrou o desfecho da vida dos ícones do Rock da época, que acabaram morrendo por overdose de heroína e outras drogas. A psiquiatra Carla Bicca reforçou que devemos assumir um posicionamento "radical" na proibição do uso precoce de álcool entre menores de 18 anos, para minimizar o risco da janela de vulnerabilidade.
Foi uma discussão bastante produtiva.Mais uma vez se reforça o poder deletério do álcool, maconha, cocaína e outras drogas na sociedade. A pergunta que deixo é a seguinte: Quando se está perdendo uma guerra, aliar-se ao inimigo é um sinal de derrota?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Déficit de Memória e Sono



Uma das queixas comuns no consultório é o déficit de memória em pessoas jovens. Há tempo se sabe da influência de transtornos mentais na memória, com estudos correlacionando alterações na região do hipocampo, por toxicidade dessas doenças, seja depressão, ansiedade, esquizofrenia e outras.
Agora se soma a essa gama de causas mais um fator reconhecido como causador de déficit de memória. Qualquer estímulo que torne o sono superficial, mesmo que não reduza o tempo total de sono, diminui a ativação hipocampal, interferindo na memória e aprendizado. O sono superficial pode ser causado por diferentes fatores: ruídos ambientais, estresse, apnéia do sono, excesso de luminosidade, ingestão de álcool e drogas. O trabalho foi publicado na Nature Neuroscience em 2009.

Farmacogenética- A dose na medida certa






Os pacientes apresentam uma variabilidade de resposta aos medicamentos prescritos. Devido a características de metabolização das drogas pelo fígado, determinada geneticamente, as doses precisam ser individualizadas. A Farmacogenética é um campo de pesquisa que estuda essas diferenças, popondo testes que contemplem o perfil metabólico de cada paciente. Nos EUA as bulas de dois medicamentos usados no câncer de mama estão sofrendo alterações para ajudar no ajuste das doses recomendadas. O objetivo é encurtar o tempo de latência da ação terapêutica , evitar falhas de tratamento , economizar recursos financeiros e minimizar efeitos colaterais graves.
Cerca de 6 a 8 % das admissões em hospitais em países desenvolvidos se devem a efeitos colaterais adversos de medicamentos.
Na Psiquiatria , como muitos medicamentos sào metabolizados na via principal de interesse da Farmacogenética, o citocromo P450, essa especialidade deve se beneficiar bastante dos avanços no estudo dos antidepressivos.

Depressão e Menopausa



As pesquisas apontam que existe uma perda óssea em mulheres depressivas na pré-menopausa. Em novembro de 2007 um estudo publicado no Archives Of Internal Medicine comprovou esses achados. Houve a presença de baixa densidade mineral óssea e aumento das citocinas pró-inflamatórias em mulheres depressivas. Isso aumentaria o risco de fraturas na menopausa. Entre as possíveis explicações estão mecanismos endócrinos com aumento do cortisol, da adrenalina, em estados de estresse crônico, alterações imunológicas causadas pela depressão, como aumento da interleucina 6, um potente fator de reabsorção óssea.
A depressão afeta 5 a 9 % das mulheres em idade reprodutiva e estaria associada à perda de densidade óssea em 10 % nesta população. O uso de antidepressivos pode evitar o risco de complicações relacionadas a fraturas, por bloquear os mecanismos pró-inflamatórios.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Será que estou depressivo?






A depressão é uma doença comum, que se caracteriza por períodos de tristeza, choro fácil, pensamentos negativos, inclusive com idéias suicidas, desânimo, cansaço físico e mental, perda de sono ou excesso de sono, diminuição de apetite ou aumento de apetite, desesperança, sensação de baixa autoestima, culpas excessivas, preocupações desproporcionais aos estímulos.
Para diagnosticarmos um episódio depressivo, o paciente precisa apresentar a maior parte dos sintomas citados por um tempo mínimo de duas semanas, durante a maior parte do dia, com comprometimento da sua qualidade de vida- âmbito pessoal, profissional, cuidados da vida diária e social.
O profissional habilitado a realizar o diagnóstico e diferenciar o tipo de depressão é o psiquiatra. Há muita confusão na cabeça dos pacientes, que não sabem a quem recorrer. O ideal é a consulta com o especialista, que está familiarizado com os subtipos dessa doença. Os psicólogos, apesar de possuírem noções de psicopatologia, não estão treinados para realizar o diagnóstico diferencial. Muitas doenças físicas podem mimetizar os sintomas depressivos. Então, somente o médico está habilitado a fazer o diagnóstico clínico.
Entre as doenças físicas que podem causar sintomas depressivos estão os distúrbios endocrinológicos(hipotireoidismo, hipertireoidismo), além de outras doenças crônicas( AIDS, diabetes, Insuficiência renal crônica, câncer de pâncreas). Há medicamentos que induzem sintomas depressivos( anti-hipertensivos, pílulas anticoncepcionais, corticosteróides).
Devemos diferenciar a tristeza comum da depressão clínica. A depressão é uma doença que precisa de tratamento medicamentoso e psicoterápico, enquanto a tristeza é uma oscilação eventual, que pode ser desencadeada por eventos circunstanciais.
Se o paciente receber o diagnóstico , deverá usar medicamentos a longo prazo, pois a interrupção brusca dos medicamentos poderá desencadear a recaída dos sintomas. Se for um primeiro episódio, o tempo médio de tratamento é de 1 ano e 6 meses a dois anos. Geralmente pacientes com depressão num primeiro episódio tem um risco de 50 % de apresentar a recorrência dos sintomas, mesmo completando esse tempo mínimo de tratamento. Quanto mais episódios depressivos recorrentes, maior o percentual cumulativo de recaídas. A chance de manifestar um segundo episódio sobe para setenta por cento a partir do primeiro. A partir de um terceiro episódio, a chance de recaída chega a noventa por cento. Portanto, quanto mais episódios depressivos, maior a necessidade de uso prolongado dos antidepressivos ou mesmo o uso contínuo.

domingo, 16 de agosto de 2009

Van Gogh e Mania


Van Gogh e Depressão



Nas telas de Van Gogh notamos uma variação de fases. No início de sua carreira, predominavam os tons escuros, sombrios, de tonalidade depressiva. A temática incluia a pobreza, a escravidão nas masmorras, os cemitérios. Na fase final da sua carreira, quando ficou conhecido pela história, predominavam os temas alegres, coloridos, o contato com a natureza, as cores vivas, aberrantes, a pincelada pesada, o psicodélico estado eufórico característico da fase maníaca. Nos últimos setenta dias de vida, antes de cometer suicídio, pintou , em média , uma tela por dia.

sábado, 15 de agosto de 2009

Bipolares Famosos -Parte 2





A história tenta entender o que levou dois gênios da arte, Vicent Vang Gogh e Ernest Hemingway a cometer suicídio. Como já vimos anteriormente, pacientes bipolares possuem trinta vezes mais chance de cometer suicídio do que a população em geral. Provavelmente esses dois artistas sofriam de depressão, seja ela bipolar ou unipolar. Pela observação das telas de Van Gogh, percebe-se uma oscilação extrema de temáticas, muitas com peculiaridades depressivas no início da carreira e ,no final da vida, a opção por cores vivas, aberrantes, de tonalidade "maniaca". Hemingway gostava de voar de avião, com espírito aventureiro, incomum para depressivos crônicos. Ambos podem ter se suicidado em fases depressivas do TAB. Parece que a mudança de humor os beneficiou na arte e os prejudicou na vida.

Bipolares Famosos -Parte 1



Em julho de 2008 reuniram-se em Bento Gonçalves(RS) psiquiatras do Brasil e a escritora Lya Luft para esmiuçar o perfil literário e psiquiátrico da escritora Virgínia Wolf. Assistimos a um trecho do filme " As horas" e escutamos a escritora Lya Luft, que foi a tradutora das obras da Virgínia Wolf no Brasil, traçar o perfil biográfico e literário dessa destacada escritora inglesa. Depois o professor Beny Laffer, professor de Psiquiatria da USP, discorreu sobre a patografia da escritora. Na união de diferentes pontos de vista, concluiu-se que Virgínia Wolf, que se suicidou por afogamento, era portadora de TAB. As cenas do filme " As Horas", deixam bem claro o clima pesado e sombrio que se abateu na vida da protagonista. As cartas , carregadas do tom depressivo, característico de uma das fases da doença, demonstram essa suspeita. Cogitou-se, também, o diagnóstico de esquizofrenia, mas não havia dados suficientes , nem deterioração mental avançada para confirmar esse diagnóstico. A escritora Lya Luft, além de excelente escritora, é uma oradora cativante, encadeada nas palavras e ritmo de apresentação. O dia frio, a sala lotada, todos refletíamos sobre o que poderia ter ceifado a vida de Virgínia Wolf. Agora temos uma possibilidade real, quanto mais aprendemos sobre essa doença que merece atenção e tratamento. Ninguém está livre, nem os gênios literários.

O transtorno Afetivo Bipolar(TAB) atrofia o cérebro





Pesquisadores da Universidade de Endiburgh, em 2007, através de ressonância nuclear magnética em 20 pacientes, descobriram que os portadores de TAB sofrem um processo de atrofia cerebral acelerado. Esse trabalho foi publicado no Biological Psychiatry.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Transtorno Afetivo Bipolar(TAB) e Suicídio




O suicídio é uma causa de morte entre os pacientes acometidos pelo TAB. Se houver transtorno bipolar , o risco de suicídio é trinta vezes maior que o da população geral. O motivo do alto percentual deve-se a combinação de sintomas, a impulsividade aliada aos sintomas depressivos de desesperança e angústia. A depressão está associada a 35 % dos suicídios. Cerca de 20 % dos pacientes depressivos tentam suicídio em alguma fase da doença.


A vergonha de falar sobre essa ideação leva o paciente a isolar-se assustado, aumentando ainda mais o risco. O médico psiquiatra sempre inquire se o paciente está com pensamentos de morte, durante a avaliação clínica, para auxiliar nesse esclarecimento tão importante. O fato de perguntar não aumenta o risco de suicídio, ao contrário, alivia o sofrimento do paciente.


Estudos revelam que o paciente potencialmente suicida confessa seu intento em conversas corriqueiras ou mesmo alude algo a médicos, com quem consulta, em média , 6 meses antes da tentativa. Por isso, é importante sempre levar a sério os indícios e indiretas quanto a esse respeito. Na dúvida, devemos pesquisar ativamente qualquer sinal de intenção suicida.


Na vontade suicida está a fantasia de alívio para o sofrimento psiquico e físico. Alguns suicidas acreditam que morrer é a solução, uma maneira de reencontrar entes falecidos, de por fim a uma existência sem sentido, libertar a família da carga que causam, enfim, toda uma gama de distorções de pensamento carregados de nuances mágicas, depressivas e delirantes.


Frente a um paciente potencialmente suicida, o médico psiquiatra deve alertar a família quanto aos riscos, indicar hospitalização se a família não puder oferecer suporte de vigilância e cuidados intensivos nas fases críticas da doença. Geralmente a ideação suicida desaparece, quando os medicamentos começam a funcionar, o que pode levar de alguns dias até semanas.


Atualmente não existe nenhum programa de saúde, ou método de prevenção capaz de prevenir 100% o suicídio. Mas podemos minimizar os riscos. A melhor abordagem sempre é o controle adequado da doença, com tratamento mais precoce possível.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Transtorno Afetivo Bipolar(TAB)

O Transtorno Afetivo Bipolar(TAB):

- é uma doença;

- manifesta diferentes sintomas e sinais no decorrer do tempo;

- é muito comum;

- não tem cura até o momento;

-tem causas genéticas e desencadeantes ambientais;

-está associado a alta mortalidade, prejuízos pessoais, absenteísmo, risco de outras doenças clínicas, baixa produtividade e conflitos de relacionamento interpessoal e conjugal;

-os pacientes acometidos não tem pleno controle sobre o que fazem ou falam durante a manifestação dos sintomas;

- o tratamento medicamentoso é fundamental e complexo, dividido em tratamento agudo e tratamento de manutenção( profilaxia) ;

- o tratamento psicoterápico é auxiliar na boa evolução da doença;

-a ausência de tratamento causa consequências sociais, comportamentais e neurológicas funestas.

Será que sou bipolar?

O Transtorno Afetivo Bipolar(TAB) é um quadro psiquiátrico muito prevalente na comunidade, afeta adultos de ambos os sexos, com início mais recorrente na juventude.
Há duas polaridades na doença, a mania e a depressão, além de estados mistos, onde coexistem os dois polos. Trata-se de uma doença crônica, que afeta cerca de 1,6% da população, embora o espectro bipolar englobe até 7 % da população.
Geralmente os sintomas iniciam no final da adolescência e início da vida adulta, entre 18 e 22 anos de idade, ainda que possam aparecer também na infância. A doença ocorre também em idosos, relacionada a causas orgânicas. Os dados epidemiológicos indicam uma maior prevalência do transtorno em meninos na infância e pré-puberdade, mas os percentuais se equiparam na vida adulta.
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CHECK-LIST para uma possível suspeição de bipolaridade:
1- Você tem alterações bruscas de temperamento ou humor?
2-Já chamaram a sua atenção por estar muito falante e eufórico, com mil idéias ao mesmo tempo?
3-Alguma vez se sentiu muito alegre( acima do habitual), cheio de energia e até agitado?
4-Você já se sentiu desanimado, sem energia para as atividades cotidianas?
5-Você costuma ter períodos de insônia por estar muito agitado ou triste?
6-Você já teve descontrole em relação às suas contas, gastando muito e comprando coisas sem necessidade?
7- Você é tipo "pavio curto", irritando-se frequentemente com as pessoas e coisas?
8-Você planeja inúmeros projetos mentalmente e tem dificuldade de aplicá-los na prática?
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CHECK -LIST de sintomas comuns:
1- Alteração de humor, euforia, urgência de falar, verborragia, agitação motora, idéias de grandeza, irritabilidade fácil, fuga de pensamentos, projetos mirabolantes.
2- Desânimo, apatia, excesso de apetite, cansaço físico e mental constantes, perda do interesse geral, baixa autoestima, idéias de suicídio, excesso ou falta de sono, sensação de estar lentificado, desesperança em relação o futuro.
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Depressão Bipolar- O desafio do tratamento


A depressão bipolar é um quadro grave , crônico, um dos polos do transtorno afetivo bipolar(TAB). Em 80 % do tempo , o TAB cursa com sintomas residuais depressivos, bastante resistentes ao tratamento.

Como falado em outros tópicos, a depressão bipolar é tratada com estabilizadores de humor(EH) e não com antidepressivos. Em alguns casos, o uso de EH isoladamente não produz a remissão completa dos sintomas depressivos. Então, adicionamos antidepressivos convencionais ao regime terapêutico ou tentamos potencializar os EH.

A depressão bipolar continua um dos desafios do psiquiatra, haja vista a cronicidade e as repercussões neurológicas da doença. A sua evolução prolongada causa atrofia neuronal, principalmente no hipocampo, região responsável pela memória e localização espacial.

É muito importante o uso contínuo das medicações, para evitar a toxicidade das oscilações de humor e das fases depressivas crônicas.

A depressão , seja bipolar ou unipolar, é uma doença grave, de alta prevalência na população, atualmente ocupa a quarta colocação como causa de incapacitação profissional. Estimativas da OMS projetam que a depressão ocupará o segundo lugar como causa de incapacitação profissional até o ano 2020. Isso tudo sem falarmos dos custos diretos e indiretos ligados aos prejuízos familiar, pessoal e interpessoal. A associação de cardiologia considera o transtorno depressivo como fator de risco cardíaco isolado, juntamente com o tabagismo, sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial sistêmica. O risco de mortalidade cardíaca aumenta de três a cinco vezes em pacientes depressivos.

A cada dia, novas pesquisas relacionam a depressão com marcadores inflamatórios no organismo, o que pode estabelecer a ligação dessa doença com outras doenças clínicas no futuro.

Surto Maníaco

O termo "surto" é bastante usado pelos leigos para descrever alterações mentais e de comportamento. Nós, psiquiatras, utilizamos o termo quando nos referimos à instalação aguda de sintomas psiquiátricos que demandam cuidados imediatos. Por exemplo, o paciente pode estar num surto maníaco: ele está eufórico, falante, gastando dinheiro, agressivo, irritado, descuidando da higiene pessoal e tendo atitudes perigososas para si e terceiros. Neste estado de surto, a sua capacidade de julgamento está afetada total ou parcialmente. Dizemos que esse paciente perdeu o seu "juizo crítico."
Então, podemos dizer que o paciente está em surto, precisa ser medicado imediatamente e, em alguns casos, ser hospitalizado por causa dos riscos.
Há outros termos, como surto depressivo, surto esquizofreniforme, etc. A função do psiquiatra é utilizar os recursos terapêuticos para esbater os sintomas agudos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Medicamentos para o Transtorno Afetivo Bipolar(TAB)- Parte 2

O transtorno Afetivo Bipolar(TAB) cursa com episódios maníacos ou hipomaníacos, alternados com episódios depressivos. Quando o paciente está manifestando sintomas maníacos agudos, o uso de estabilizadores de humor(EH) é mandatório. O surto maníaco caracteriza-se por uma excitação das funções psíquicas e motoras. O paciente sente-se eufórico, grandioso, hiperativo, inquieto, podendo chegar a ter comportamentos bizarros e delirantes de grandeza. Ele está geralmente falante( verborreico), com fala acelerada( taquilalia), com fuga de idéias, pulando de um tópico para outro sem fio associativo. Nesta fase são necessários medicamentos que acalmem o humor e recoloquem o paciente novamente proximo da normalidade. O primeiro estabilizador já citado é o carbolitium. Ele é um metal, o mais leve da tabela periódica, não sofre metabolização no fígado, isto é, da mesma maneira que entra no organismo humano é eliminado depois de algumas horas. É necessário o acompanhamento dos níveis sanguíneos desse medicamento, conhecido como litemia, porque níveis muito elevados são tóxicos para a saúde e níveis baixos são ineficazes. A dosagem do lítio se faz depois do primeiros dez dias de uso, no primeiro mês, depois três meses e até 3 vezes ao ano, conforme necessário. Muitos medicamentos clínicos interagem com o lítio, podendo elevar os seus níveis sanguíneos, com risco de intoxicação. É recomendável a realização de um check up clínico antes de iniciar com essa terapêutica, incluindo exame de sangue e eletrocardiograma.
O lítio é um excelente estabilizador de humor, sendo considerado o padrão-ouro do tratamento dos pacientes bipolares. Isso significa que os outros medicamentos existentes no mercado são comparados com o lítio nas pesquisas clínicas. Nenhum deles mostrou-se superior ao lítio em eficácia, mas muitos medicamentos novos são melhor tolerados pelos pacientes. Os principais efeitos colaterais do lítio são o ganho de peso, disfunção da glândula tireóide, insuficiência renal, tremores, etc. Por ser um medicamento barato e disponível nos postos de saúde, ainda é bastante usado. Ele está preconizado nos protocolos de tratamento para o TAB clássico- aquele com episódios maníacos e depressivos marcados, com menos de 4 alternâncias por ano. Em quadros de TBA cicladores rápidos( > 4 episódios por ano) , a sua eficácia terapêutica é baixa, sendo recomendável usar as novas classes de medicações estabilizadoras de humor, principalmente os anticonvulsivantes e os antipsicóticos atípicos.

domingo, 9 de agosto de 2009

Transtorno Afetivo Bipolar(TAB)


O Transtorno Afetivo bipolar(TAB) é uma doença psiquiátrica grave, geneticamente determinada , que acomete até 7 % da população. O transtorno bipolar clássico, conhecido com tipo I, afeta 1 % da população. Nesse transtorno, o paciente apresenta oscilação de humor, com momentos de depressão alternados com momentos de euforia ou irritabilidade. Trata-se de um transtorno altamente incapacitante, com pesado ônus para o paciente e seus familiares.

Acredita-se que o sistema de neurotransmissão esteja desregulado nesses pacientes, principalmente sistemas neurotransmissores dentro dos neurônios( segundo mensageiros). Essa desordem neuroquímica produziria uma desregulação no humor e na cognição( pensamentos, memória, capacidade de julgamento). Pacientes com TAB, em fase maníaca, ficam com o humor exaltado, fazendo inúmeras atividades, muitas sem propósito, desconcentrados, falantes, desorganizados mentalmente, com idéias de grandeza, chegando ao delírio de acreditar que possuem poderes especiais, místicos, ou mesmo se considerando famosos. Esse polo maníaco costuma ceder espaço para fases depressivas, onde há uma inversão de sintomas, com o paciente retraindo-se socialmente, tornando-se pessimista, com ideação suicida, com choro fácil, sem motivos, podendo ficar completamente isolado do mundo , sem energia para prover os autocuidados.

O tratamento do TAB se faz com o uso de estabilizadores de humor(EH). Em alguns casos selecionados , precisamos adicionar antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos. Por se tratar de uma doença grave, o uso de um único medicamento é insuficiente para o controle completo dos sintomas. Portanto, não se admire se conhecer um paciente com essa doença usando dois, três ou mesmo mais de três medicamentos.

Em anos recentes, ampliou-se o entendimento dessa doença. Acredita-se que o número de pacientes acometidos pela doença chegue a 7 % da população, se adicionarmos no cálculo epidemiológico aqueles casos menos graves( mas igualmente incapacitantes), como o transtorno bipolar tipo II( depressão e hipomania), bipolar tipo III( desencadeado por substância ou medicamentos), tipo IV( com história familiar positiva para doença e depressão), ciclotimia( alternância de episódios rápidos de mudança de humor).

O transtorno Afetivo Bipolar( TAB) é uma doença neurológica, além de ser uma doença comportamental. Se não for tratada adequadamente, evolui negativamente, causando atrofia neuronal, o que aumenta o risco para outros transtornos psiquiátricos.

Depressão Bipolar


A depressão bipolar é a manifestação de um polo do transtorno Afetivo Bipolar(TAB). Caracteriza-se por sintomas depressivos atípicos, como hipersonia( excesso de sono), hiperfagia( aumento do apetite), lentificação psicomotora, irritabilidade associada, oscilação de humor com variabilidade diurna. Por ser uma manifestação depressiva, costuma ser confundida com a depressão unipolar. A depressão unipolar é a depressão sem a oscilação do humor do TAB.

É muito importante a diferenciação diagnóstica por vários motivos. Primeiro, o tratamento da depressão bipolar se faz com o uso de estabilizadores de humor(EH) e não de antidepressivos. Inclusive os antidepressivos podem piorar a evolução do TAB, induzindo a aceleração das oscilações de humor, piora da irritabilidade e euforia( polo maníaco da doença), podendo desencadear um " surto maníaco franco."

A história familiar do paciente é de suma importância na elaboração diagnóstica. Como se trata de uma doença sabidamente genética, a presença de familiares com sintomas semelhantes aumenta o grau de suspeição dessa patologia. Quando estamos examinando o paciente( corte transversal), temos um momento no tempo cronológico. Precisamos de um tempo maior( corte longitudinal), que ligue a evolução dos sintomas desde o passado até o momento presente. A avaliação conjunta transversal e longitudinal aumentam a fidedignidade do diagnóstico.

Uma vez feito o diagnóstico de depressão bipolar, prescrevemos EH. Se esses sozinhos não funcionarem, fazemos associações com outros EH. Em último caso, associamos antidepressivos em casos selecionados, sempre tomando o cuidado de não usá-los sozinhos .

Sabemos que o número de pessoas depressivas bipolares é muito maior do que os diagnósticos atuaís englobam. O espectro bipolar chega a alcançar até 7 % da população em estudos epidemiológicos recentes. Portanto, a acurácia diagnóstica vai ser cada vez mais importante para o tratamento adequado dessa grave patologia.

Ansiedade Resistente ao Tratamento

No consultório atendemos pacientes com queixas crônicas de "nervosismo", ansiedade. Explicitados os significados dos termos, chegamos a sintomas como preocupações excessivas, tensão muscular, palpitações, mãos e pés frios, ondas de calor , tremores generalizados, sensação crônica de apreensão , medo de tudo, etc. A maioria dos pacientes ansiosos , que não se tratam, mantem sintomas ativos dos diversos transtornos de ansiedade. Um risco adicional de não tratar é a evolução para um quadro depressivo concomitante.
Quando nos deparamos com pacientes cronicamente ansiosos, precisamos reavaliar o diagnóstico. Muitos pacientes se automedicam com ansiolíticos( medicamentos que combatem a ansiedade), os famosos medicamentos "tarja preta." O uso prolongado desses medicamentos é contra-indicado na maior parcela dos casos. Portanto, o uso desses medicamentos fica restrito ao curto prazo, até que os antidepressivos( com propriedades antidepressivas e ansiolíticas) comecem a funcionar.( 2 a 3 semanas).
Então, quando atendemos pacientes "ansiosos crônicos", a primeira pergunta a ser respondida é a seguinte: _ Trata-se de uma ansiedade mesmo ou de outra doença mental? A resposta correta a essa dúvida nos direciona para tratamentos mais eficazes. Se for um transtorno de ansiedade verdadeiro, o ajuste do antidepressivo( aumento de dose ou troca de classe medicamentosa) já será suficiente para modificar os sintomas, levando à remissão completa na maioria dos casos tratados. Se for um transtorno de humor, precisamos adicionar um estabilizador de humor(EH) para equilibrar a química cerebral. Acredito que muitas queixas ansiosas são, na verdade, sintomas de oscilação de humor mascarados e subdiagnosticados. Vale a pena rever a história clínica cuidadosamente para refazer o diagnóstico e mudar a conduta médica. Assim, casos ansiosos crônicos são solucionados todos os dias no consultório.

TDAH( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)- Mito TRÊS

Mito= As crianças que tiveram TDAH normalmente se curam quando entram na adolescência.

Verdade= Geralmente os prejuizos que iniciaram na infância ficam evidentes na adolescência. Isso decorre de uma maior necessidade do uso da funções de autogerenciamento, exigidas na escola e outros setores da vida. O TDAH se mantém quando essas chegam à vida adulta em 60% dos casos , caracterizando a continuidade do transtorno. Muitos adultos com TDHA hoje foram crianças hiperativas e desatentas na infância.

TDAH( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)- Mito DOIS

Mito= O TDAH é somente ausência de força de vontade. A prova disso é que crianças que não gostam de estudar usam essa desculpa. Mas quando vão jogar videogames, ficam concentradas. Se elas realmente quisessem poderiam manter o foco em qualquer atividade.

Verdade= O TDHA se parece realmente com um problema de falta de força de vontade, mas não é. Ele é um problema químico nos sistemas de gerenciamento do cérebro, principalmente nas estruturas cerebrais conhecidas - região frontal e gânglios da base-, que utilizam os neurotransmissores dopamina e a noradrenalina nas comunicações neuronais.

TDAH( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)- Mito UM

Mito =Os medicamentos usados para tratar o TDHA podem causar dependência a longo prazo ou outros problemas de saúde, especialmente quando administrados em crianças.

Verdade= A ritalina é um dos medicamentos mais pesquisados no mundo.O potencial de dependência é pequeno. Atualmente dispomos de apresentações de liberação prolongada, o que diminui o abuso. Os riscos do uso são mínimos, enquanto os prejuízos do não uso na população portadora do transtorno são elevados. O TDAH não tratado causa prejuízos acadêmicos significativos, dificuldades de controle de impulsos e socialização.

Mitos sobre Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade(TDAH)


No Brasil a mídia presta serviços e desserviços. O último desserviço refere-se à reportagem veiculada no Jornal Nacional a respeito do uso de ritalina( medicamento) para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade(TDAH), tanto em crianças como em adultos. Na reportagem o jornalista afirma que existe uma " hipermedicalização das crianças". Isso é um equívoco, pois nós, profissionais, sabemos que existe uma submedicalização. Se levarmos em conta os dados epidemiológicos, há um percentual significativo de crianças e adultos não diagnosticados no Brasil e no mundo. Recebo perguntas de pacientes a toda hora sobre os riscos da ritalina( medicamento). Considero a ritalina um medicamento bastante seguro para tratar esses quadros psiquiátricos. Obviamente que devemos tomar algumas precauções, como solicitar os exames cardiológicos previamente ao uso dessa medicação. Quanto à boataria da mídia, cabe à comunidade médica na figura da ABP( Associação Psiquiatria Brasileira) responder com informações técnicas pertinentes para esclarecer a população e permitir o acesso aos meios terapêuticos eficazes disponíveis no mercado.

Esquizofrenia e Bipolaridade se aproximam!

Pesquisadores descobriram que a esquizofrenia e o transtorno afetivo bipolar(THA) podem ter genes similares. Desde 1994, houve um aumento em quarenta vezes no diagnóstico de doenças mentais nos EUA. Principalmente no transtorno bipolar, com sintomas psicóticos, o diagnóstico diferencial com esquizofrenia faz-se necessário, pois em mais de 30 % dos casos, há a presença de alucinações e delírios no transtorno bipolar. Isso pode confundir o diagnóstico. Cabe ao psiquiatra avaliar a história familiar do paciente, o curso longitudinal do sintomas para a escolha correta dos medicamentos. A maioria dos psiquiatras acredita que esses dois transtornos são graves, com consequências cerebrais , se não tratados adequadamente. O transtorno bipolar tipo I, o clássico, acomete 1,5 % da população geral. Mas se levarmos em conta o "espectro bipolar", termo que engloba as variantes do humor, o percentual pode atingir até 7 % da população. Quanto `a esquizofrenia, a incidência do transtorno é de 1%. Referente aos tratamentos prescritos, na bipolaridade usam-se os estabilizadores de humor( EH), enquanto na esquizofrenia os antipsicóticos são os medicamentos de eleição.

Hipocondria

Este mês contribuo com a Revista Saúde Interativa(www.revistasaudeinterativa.com.br), em Santa Maria, abordando o tema " Hipocondria.". A hipocondria é uma síndrome que acomete tanto homens como mulheres,ocorrendo em qualquer idade, mais comumente entre 20 e 30 anos, e se caracteriza pela preocupação do paciente em ter algum transtorno físico sério e progressivo, a despeito da ausência de evidências em exames clínicos e de imagem. Trata-se de um transtorno psiquiátrico bastante prevalente no nosso meio, pouco responsivo a medicamentos. Necessita de intervenção psicoterápica adjuvante.