domingo, 13 de dezembro de 2009

"Efeito Manada"



O termo "efeito manada" é muito usado no mercado de ações, quando um grupo de especuladores "estoura" numa direção de compra ou venda de algum tipo de ação negociada na bolsa de valores , pelo efeito psicológico do medo e da ganância.


Na psicologia não temos esse termo, mas ele pode ser pego emprestado para analisar o comportamento humano. Costumamos falar em superego, uma instância psíquica, criada pelo inventor da psicanálise, Sigmund Freud. O superego seria a nossa consciência moral, a vigilância social, os olhos dos nossos pais, a voz que nos cobra o certo e o errado. Pessoas muito rigorosas consigo mesmas teriam um superego "encorpado", rígido, o que as fariam representantes dos bons costumes sociais e da moralidade individual. Pessoas com superegos frágeis , seriam os psicopatas, que não respeitam as leis e as normas da boa convivência social.


Todos nós possuímos um superego. Ele é mais ou menos ativo no nosso psiquismo. Quanto mais adequada a nossa educação doméstica, melhor se posiciona nosso superego, nem num extremo , nem noutro. Pessoas com superegos muito rígidos, são vulneráveis a quadros depressivos, pois se cobram demais, são perfeccionistas demais, querem controlar demais o mundo! Pessoas com superegos fracos, são irresponsáveis demais, infantis demais, dependentes de regras para se orientarem na vida e não causarem confusão.


Voltando ao efeito manada. Existem grupos que diluem o superego das pessoas, liberando-as para fazerem coisas socialmente inaceitáveis, das quais se arrependem mais tarde. Veja o exemplo dos torcedores do Curitiba recentemente, dos alunos da Uniban recentemente. Em ambos os casos, o efeito manada diluiu a lucidez individual das pessoas, impulsionando-as a fazerem atos de selvageria no estádio e crucificando a aluna na Uniban. Outro exemplo de diluição do superego é o linchamento público. Pessoas , movidas pela permissividade de um grupo, podem linchar uma pessoa até a morte! Depois, quando voltam a si, já cometeram o ato bárbaro. A ingestão de álcool e drogas dilui o superego literalmente, pois afeta o funcionamento cerebral. No efeito manada, se mais de uma pessoa faz algo, as outras entram na onda, "tudo é festa", "tudo é carnaval", "se muitos estão fazendo, então é permitido". A mente individual crítica de cada um fica substituída pela mente coletiva permissiva para atos errados e selvagens!


Para que o efeito manada funcione, precisa haver outros ingredientes atuando simultaneamente. O anonimato é um deles. No estádio de futebol, não importa espancar o torcedor que você não conhece. Mas ele tem família, nome, é uma vida! "Coisificar" as pessoas facilita o efeito manada. Nos estádios, espancar torcedores, na bolsa de valores, comprar ações, nas universidades, atacar esteriótipos. O outro fator facilitador do efeito manada é a alegação de falsos motivos de ordem moral. Na cabeça da massa de manobra, é moralmente permitido linchar um assassino, pois ele matou uma pessoa. Mas continua errado matar o assassino. Jogar aviões em prédios continua um crime hediondo, mesmo com a chancela da religião( falso motivo divino).


O efeito manada funciona bem com massas de manobra. Como é uma espécie de terceirização da capacidade de pensar, pessoas pouco inteligentes costumam ser as vítimas do processo. Se houver líderes( chefes de torcida, investidores, líderes de turma) que mobilizam a imaturidade dos membros, mais fácil é "estourar" a boiada. Em nome de algum fanatismo, a permissividade se une com a falsa moralidade, levando a atos extremamente burros, brutais ou condenáveis. Obviamente que, quando passa o calor do momento, e os algozes recuperam a sua capacidade de pensar por si mesmos, arrependem-se do que fizeram, mas já é tarde, pois já estão na cadeia, perderam muito dinheiro na bolsa de valores ou denegriram a imagem da universidade. Quanto mais fraco o superego( infantil ou incompleto), mais regras ostensivas e vigilância externa são necessárias, para evitar que as pessoas não se comportem exclusivamente como animais, que um dia foi parte da sua natureza evolutiva e ficou latente no seus cérebros! Só que animais não frequentam estádios de futebol, nem se importam com dinheiro, nem atacam por inveja ou moralismo!

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